sábado, 25 de agosto de 2007

Brinquedos feitos com Sucata

BRINCAR E JOGAR: APRENDER COM PRAZER



Brincadeira é coisa séria.

Levamos quase um século para darmos credibilidade a essa frase. As crianças eram vistas como adultos em miniaturas, sendo cobrado delas trabalhos e atitudes do mundo adulto. Somente no século XVII que consolidou a idéia de infância como um período particular, com características próprias e, que tornou possível o posterior aparecimento de uma psicologia da criança.

A maioria dos filósofos, psicólogos, sociólogos, etnólogos, antropólogos e professores concordam em compreender os jogos e brincadeiras como uma atividade que contém em si mesmo o objetivo de decifrar enigmas da vida e de construir momentos de prazer. Com a evolução da ciência e do saber, pudemos perceber que as atividades lúdicas proporcionam às crianças o seu desabrochar com alegria, encanto, magia, criatividade e autonomia.

O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites, dotados de um fim em si mesmos, acompanhados de um sentimento de tensão e de cotidiana (HUIZINGA, 1996, p.33). Assim, a alegria é a finalidade do jogo, em que, quando esta finalidade é atingida, a estrutura de como se pode jogar assume uma qualidade muito específica de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida; torna-se uma ferramenta de aprendizagem que mantém uma constância de forma a dar prazer e de continuar sendo eterno.

Portanto, podemos verificar que o jogo é muito importante, não só porque ficamos alegres ou nos dá prazer, mas quando estamos vivendo-o, direta e reflexivamente, estamos indo além da sua representação simbólica de vida. Nesta linha de pensamento, podemos citar Brotto (1999, p.16), ao afirmar que a idéia da aproximação do jogo com a vida numa representação do reflexo de um sobre o outro é: “eu jogo do jeito que vivo e vivo do jeito que jogo.”

Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver, por meio dele, formas e contribuições para gerar talentos, aperfeiçoar potencialidade e criar novas habilidades de conviver.

Friedmann (1996), baseando-se nos estudos de Piaget, afirma que o jogo pode ser utilizado como forma de incentivar o desenvolvimento humano por meio de diferentes dimensões que são: o desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento moral, desenvolvimento cognitivo, afetivo e fisicomotor.

Fontana (1997), também baseou-se nos estudos de Piaget, discutindo a questão do jogo simbólico como fundamental para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois a criança pode representar uma coisa por intermédio de outra coisa e, com isso ela torna-se capaz de pensar em objetos que não estão presentes em seu campo perceptivo, de lembrar de acontecimentos, de prever mentalmente o resultado de suas ações.

Ao utilizarmos o jogo como uma atividade de desenvolvimento humano, permitimos uma participação dessa forma de aprendizagem, com o compromisso do buscar pedagógico, transformando e contextualizando-o num exercício crítico e consciente do aprender.

Seber (1995), outra estudiosa do desenvolvimento infantil, trata da importância dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento global da criança, com maior ênfase o lado afetivo. No brincar, no jogo de faz de conta, a criança tem a oportunidade de expressar seus sentimentos, anseios, desejos, angústias, necessidades, alegrias e tristezas. Compartilhando com esse mesmo ponto de vista, podemos citar Oaklander (1980) quando fala das técnicas de desenhos, pinturas, jogos e brincadeiras diversas, como formas poderosas de expressão de si mesmo. Por meio dessas atividades, supõe-se que as crianças expressem suas fantasias, desejos e experiências de um modo simbólico.

Aberastury (1982), ressalta que a criança, ao brincar, vence realidades dolorosas e domina medos instintivos, projetando-os ao exterior. Acreditamos que, quando a criança tem oportunidade de expressar seus sentimentos por meio dos jogos e brincadeiras, elas estarão livres para experimentar o mundo que as cercam, livres para aprender, desenvolver seu potencial, ou seja, sempre prontas para receber todas as informações que lhes chegam aos seus órgãos sensoriais.

Diante do exposto, podemos concluir que as atividades lúdicas são essenciais dentro do contexto escolar como recursos para o desenvolvimento cognitivo e aprendizagem das crianças. Porém, acreditamos que essas formas de promover o conhecimento ainda encontram-se distantes em muitas realidades escolares. Sabemos que as escolas de um modo geral, utilizam brincadeiras, jogos, gincanas, aulas de educação física, mas desvinculam essas atividades do ato de aprender, existindo a hora de brincar e a hora de aprender. E, o aprendizado se dá com o uso do papel e do lápis e um professor que precisa ensinar passo-a-passo os conteúdos que fazem parte de seu plano de ensino.

Referências:
ABERATURY, A. psicanálise da criança: teoria e técinca. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
BROTTO, Fábio O. jogos cooperativos. Santos: Ed. Re-Novada, 1999.
FONTANA, Roseli. Psicologia e trabalho pedagógico.São Paulo: Atual, 1997.
FRIEDMAN et al (org.) O direito de brincar: a brinquedoteca. 4º ed. São Paulo: Abrinq., 1999.
HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1996.
OAKLANDER, Violet. Descobrindo crianças. 10º ed. São Paulo: Summus, 1980.
SEBER, Maria da Glória. Psicologia do pré-escolar: uma visão construtivista. São Paulo: Moderna, 1995.


Alguns brinquedos...





















1 comentários:

Helida disse...

muito bem!!!!amei o seu documentário. as crianças merecem pessoas criativas