domingo, 30 de setembro de 2007

Saiba porque é tão importante estimular o desenho e a pintura

Existe uma queixa recorrente dos pais em relação à letra de seus filhos. Letra muito pequena ou grande demais, letra sem capricho ou ilegível. É comum o comentário: "Na minha época de escola fazíamos caligrafia."

A aquisição da escrita não começa na alfabetização. É um processo trabalhado desde a Educação Infantil.

E onde exatamente se inicia? Desde que a criança faz seus primeiros traçados no papel em forma de rabiscos. Essa fase, chamada rabiscação evolui para a celular, com os famosos desenhos das bolinhas e, depois, para a garatuja, que são aqueles bonecos onde os braços e pernas saem da cabeça. Finalmente, a criança começa a desenhar cenas simples como uma casa com um boneco e o céu, evoluindo até a cena completa, quando coloca novos elementos no desenho e, em seguida, para cena completa com detalhes, quando enriquece a produção com pequenos objetos, novas cores, particularidades nas figuras.

Por volta dos seis anos, a criança já é capaz de produzir uma cena completa.

Os movimentos, a firmeza, a forma de se organizar no papel, o jeito de segurar o lápis, tudo isso é pré-requisito para ter uma boa letra.

Quando a criança desenha, está desenvolvendo a coordenação motora ampla, no início; e fina, mais tarde. Coordenação motora ampla quando segura o lápis fechando todos os dedos em torno dele e fazendo movimentos grandes. Coordenação motora fina já com o movimento de pinça, quando segura o lápis da forma convencional e já elabora os elementos gráficos. Por isso é indicado que se dê para os pequeninos lápis grossos do tipo giz de cera e papéis variados grandes, como o pardo ou cavalete. Com o passar do tempo, diminui-se o tamanho do papel e pode-se usar lápis de cor, canetinhas e similares. Isso porque a criança vai adquirindo habilidades como, por exemplo, a orientação espacial, que faz com que perceba os limites de onde pode desenhar. Nessa fase, sua mesa não será mais alvo de riscos e rabiscos.

Os movimentos, a firmeza, a forma de se organizar no papel, o jeito de segurar o lápis, tudo isso é pré-requisito para ter uma boa letra. E não estou falando em letra feia ou bonita. Hoje sabemos que a letra é um traço da personalidade do indivíduo e, portanto, não deve ser alterada. Mas também não pode ser ilegível. A preocupação com o desenho certo da letra deve existir, por isso é importante orientar e supervisionar a escrita durante a alfabetização.

Além do desenho, várias atividades como a pintura a dedo ou com pincéis largos e finos, modelagem com massinha ou argila, recorte e colagem, entre muitas outras, ajudam a desenvolver as habilidades necessárias para o traçado das letras.

Uma dica: não deixe essas atividades serem feitas apenas na escola. Transforme-as em brincadeiras em casa, sugerindo que seu filho desenhe a cena que mais gostou do filme a que assistiram juntos, que modelem com massinha o personagem preferido de uma história que você contou, que produza um cartão de aniversário para um familiar ou amigo usando papel, seja rasgando, fazendo bolinhas ou recortando e colando. E o que mais você possa imaginar. Mas lembre-se de participar sempre e valorizar a produção.

Outra questão que aparece muito na clínica é se os pais devem ensinar a escrita em casa e como devem fazê-lo. Nesse caso, penso que a orientação da escola deve ser seguida. Normalmente, é melhor deixar o processo por conta do colégio, que tem seu próprio método de alfabetização. O bom senso e o equilíbrio são pontos importantes, ocorrendo dúvidas, os pais devem marcar logo uma entrevista com a professora ou com a equipe pedagógica. É muito natural ficarem ansiosos ou angustiados nesta fase da vida escolar de seus filhos.
Isso também se aplica ao encaminhamento para uma avaliação psicopedagógica ou fonoaudiológica. A escola está capacitada para dizer o momento certo e pode orientar sobre o que é normal acontecer durante o processo e o que deve ser visto com um especialista, para facilitá-lo.

Agora, e se seu filho está cursando uma classe mais adiantada e há problemas com a letra dele?
Tire um tempo para resgatar o desenho, principalmente. Incentive-o a elaborar o grafismo, a inserir detalhes nas cenas, a colorir. Trabalhe bastante a coordenação motora fina e depois retome os movimentos corretos dos desenhos das letras. Qualquer tarefa nesse sentido deve ser prazerosa e, para que isso aconteça, é preciso usar a criatividade. Cópia, ditado e caligrafia podem até ser usados, desde que não seja enfadonho para a criança. Recicle essas atividades porque elas também podem dar certo se dirigidas com criatividade. Por exemplo, escute junto com seu filho uma música de que ele goste muito. Depois, proponha que escreva a letra e a ilustre. Ele pode copiar ou você ditar.

E nunca se esqueça de que a letra da criança é parte integrante de seu EU. O traçado pode agradar ou não a você. Melhor dizendo: você pode pensar que é feia ou bonita, mas essa não é a questão importante. O fundamental é que a escrita é um meio de expressão e comunicação e, para funcionar assim, a letra deve ser legível. A criança deve entender dessa forma, para que se empenhe em mudar. Aí reside a verdadeira aprendizagem, no prazer de apropriar-se de novos comportamentos, saberes e habilidades.

domingo, 23 de setembro de 2007

Mas o que tem a ver com fonoaudiologia?

Essa pergunta foi feita já muitas vezes, desde que comecei com o Projeto de Brinquedos e agora, aqui, no Espaço Múltiplo, na Oficina de Expressão, não foi e nem será diferente.

Não me assusto com essas questões, pois sei que, a pesar de anos na estrada, a Fonoaudiologia, ainda é uma profissão nova e desconhecida por muita gente.

Cabe a nós, profissionais da área, promover, divulgar e desmistificar a nossa profissão... E as pessoas, cabe ajudar nesse processo...

De novo a pergunta: Mas o que tem a ver um Fonoaudiólogo dentro do Espaço Múltiplo?

O que é um Espaço Múltiplo? É um espaço que não é simples ou único. É um espaço de muitas vertentes.

Muitas crianças ali estão. Estão crescendo, aprendendo e se desenvolvendo e tudo isso acontece ali também, diante de nossos olhos e em uma velocidade impressionante.

A fonoaudiologia vem para “este mundo” com um olhar atento: o preventivo. E é sobre isso que irei escrever a seguir.

Pais, educadores e pessoas interessadas, leiam e conheçam um pouco mais!

A prevenção, por sua vez, também começa a conquistar novos espaços, embora face à sua importância, pareça ainda ter uma atuação limitada. Como o próprio termo sugere, prevenir significa criar condições para que se evite o aparecimento de um problema.

Gostaria, por outro lado, além de apontar distorções que ocorrem em termos do que se considera prevenção, de estar propondo uma ação fonoaudiológica que ultrapasse a noção de evitar problemas. Creio que podemos falar de uma visão desenvolvimentista, independentemente de estarmos pensando em patologias, quer no sentido de detectá-las e tratá-las, quer no sentido de evitá-las.

Desenvolver, neste caso, significa criar condições favoráveis e eficazes para que as capacidades de cada um possam ser exploradas ao máximo, não no sentido de eliminar problemas, mais sim baseado na crença de que determinadas situações e experiências podem facilitar e incrementar o desenvolvimento e a aprendizagem.

Além de detectar, tratar e prevenir problemas, podemos também pensar a atuação do fonoaudiólogo em termos de desenvolver potencialidades, mesmo no caso crianças que já sejam hábeis em termos comunicativos. Elas podem se beneficiar de programas que tenham por finalidade otimizar o desenvolvimento, partindo do princípio de que tais capacidades podem ser sempre melhoradas em função das condições criadas para seu uso.

Portanto, podemos pensar em como os conhecimentos que o fonoaudiólogo tem a respeito de alguma de suas áreas de atuação – comunicação oral e escrita, voz, fala, audição - poderiam fazer parte de programas educacionais com o objetivo de promover desenvolvimento otimizado, indo além de sua atuação mais tradicional no sentido de diagnosticar, tratar e prevenir problemas.

E o brinquedo surge como instrumento facilitador no processo evolutivo e ferramenta importante para o desenvolvimento.

sábado, 22 de setembro de 2007

Você gosta de Brincar?



A Pesquisa...


Fizeram parte dessa pesquisa 20 crianças com idades variando entre 2 e 6 anos, de ambos os sexos, que freqüentam o Espaço Múltiplo e participaram da Oficina de Expressão, no dia 14 de setembro de 2007.
A coleta de dados foi baseada nas respostas obtidas para as seguintes questões:

1. Qual seu nome?
2. Quantos anos você tem?
3. Você gosta de brincar?
4. Qual (is) brincadeira (s) ou jogo (s) você gosta?
5. Seus pais brincam com você?
6. Com qual (is) brincadeira (s) e/ou jogo (s) seus pais brincam com você?
7. Qual brinquedo você leva para a escola ou para o clube?

A pesquisa foi realizada no Espaço que faz parte do Petrópole Tênis Clube, pela Fonoaudióloga Dóris C. Palma


Resultados e análises:

Quanto ao sexo:
55% meninas
45% meninos

Quanto a idade:
20% têm 2 anos
30% têm 4 anos
30% têm 5 anos
20% têm 6 anos

Quando a brincar:
100% gostam de brincar

Quanto ao que mais gostam de brincar:
20% Boneca
20% Pega-pega normal
15% Esconde-esconde
10% Memória
35% outros (apenas uma referência de escolha para: quebra-cabeça, escorregador, bichinho de pelúcia, massinha, pega-pega-paralítico, videogame e casinha)

Quanto aos pais:
50% brincam com seus filhos
15% não brincam com seus filhos
20% às vezes ou somente um dos pais brinca
10% brincam somente aos finais de semana
5% somente o irmão brinca

Quanto às brincadeiras e/ou jogos compartilhados com os pais:
20% jogos
15% qualquer coisa
15% garupa/cavalinho/tubarão
15% boneca
5% videogame
5% futebol
5% esconde-esconde

20% das crianças não responderam

Quanto ao brinquedo que trazem:
100% gostariam de trazer brinquedos de casa

Quanto ao tipo de brinquedo que gostariam de trazer:
20% Pokemon
20% Carrinho
20% Boneca
10% Barbie
10% Minie
10% Bicho de pelúcia
5% Videogame
5% Lego



Conclusões:

Através dos dados coletados, é possível concluir:

  1. As crianças são influenciadas pelos brinquedos/jogos/brincadeiras, não só pelo entretenimento, mas para o desenvolvimento de suas habilidades.
  2. Os pais participam com as crianças de forma significativa, o que proporciona integração.
  3. A televisão influi muito em suas escolhas, refletindo os tempos modernos e do dia-a-dia de uma cidade grande, onde os pais saem para trabalhar e em algum período as crianças ficam em casa.
  4. Porém, muitas das brincadeiras e jogos praticados pelas crianças, hoje, são os mesmos com os quais os pais brincavam quando eram crianças.
  5. Todas as crianças manifestaram desejo de trazer brinquedos de casa, em pelo menos um dia na semana.


Para Vygotsky, o brinquedo influencia no desenvolvimento das crianças, pois preenche suas necessidades e é o que motiva a ação. O mundo dos brinquedos envolve uma situação imaginária, onde os desejos são realizados.

Segundo Winnicott, a criança adquire experiência brincando. O brinquedo proporciona o aprender fazendo, o desenvolvimento da linguagem, o sentido do companheirismo e a criatividade.


Ainda pensando em aprendizagem...
Hoje analisamos crianças bem pequenas, mas que estão caminhando, cada uma delas, para a sua própria evolução. É brincando que adquirem habilidades para os desafios da aprendizagem.

O brinquedo é simbolismo de primeira ordem e representa o significado. O brinquedo contribui para o desenvolvimento da escrita, que é simbolismo de segunda ordem.

Escrita, linguagem, comunicação, imaginação, sociabilidade... o brinquedo é o passaporte para o desenvolvimento de habilidades e a formação do ser humano!

É preciso que educadores e pais tenham clareza que os brinquedos, brincadeiras e/ou jogos são necessários às crianças, pois trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da aprendizagem e do pensamento. No jogo, a criança está livre para explorar, brincar com seu próprio ritmo. Os brinquedos podem ser explorados tanto como forma de lazer, quanto como elemento enriquecedor da aprendizagem.

domingo, 2 de setembro de 2007

Estréia! Dia 31/08/2007

Para começar...

Para o primeiro dia da Oficina de Expressão, me inspirei em Violet Oaklander...
Atividade inicial de sensibilização para o contato consigo mesmo através de estratégias sensoriais como a massa de farinha.
Esse material oferece um tipo de sensação diferente para o tato, mas não substitui a argila. É especialmente divertido para crianças mais velhas que já “cresceram muito” para brincar com ela em casa. Podem ser feitas figuras que endurecem e podem ser pintadas. Mexer nessa massa, modelá-la, utilizando todos os tipos de ferramentas e equipamento, são atividades que oferecem boas experiências táteis e sensoriais.

ESTA BRINCADEIRA ESTIMULA

  • Percepção, os sentidos
  • Criatividade
  • Motricidade
  • Controle da força muscular
  • Aquisição de conceitos: constância da massa, causa e efeito
  • Atenção, concentração...

O que aconteceu com essa experiência (alguns comentários):

  • Todas as crianças estavam reunidas em uma rodinha... Quando expliquei o que iríamos fazer, perguntei se já conheciam a "massinha", alguns disseram que sim e começaram a dizer as cores que queriam fazer...todos falando ao mesmo tempo! Me alegrei em ver o entusiasmo dos pequenos e dos grandes também!
  • Ao iniciarmos, os bem pequenos ficaram curiosos com os tais "igredientes" da tal massinha e eu propuz que descobríssemos o que cada um era, o gosto, o toque, a cor...
  • Para todos os grupos quando coloquei a farinha, o sal as crianças se divertiram mexendo...quando coloquei a água...hummmm....ouvi muitos dizerem: "ai que meleca!" "ai que nojo!" e risos...todos quiseram ver no que aquilo ia dar e se surprenderam em ver a "tal meleca" desgrudar da mão e ir tomando forma de uma massa lisa e cheirosa.
  • Mediei a experiencia das percepções...
  • Quando chegou a hora de escolher a cor e cada um ter a sua massinha, muitas experiências foram feitas...cores fortes, fracas, multicoloridas... depois de muito brincar, cada um aprendeu a guardar a massinha e como conservar...guardaram na geladeira para não endurecer e depois, antes de ir embora, pegariam para levar para casa.
  • Ao término da atividade, conversei com cada grupo de crianças, sobre a experiência. Esse momento todos expressam suas sensações e opiniões. Foi uma experiência bastante interessante!

Foi muito bom passar esses momentos!

A RECEITA:
Massinha de modelar feita com farinha:
Você vai precisar de:
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1/2 xícara de sal
  • 1/2 xícara de água
  • 1 colher de café de óleo de cozinha ou de amêndoas

Modo de fazer:
Misture bem amassando com as mãos. Divida a massa em vários pedaços, misture cada cor de anilina em um pedaço diferente. Amasse bem cada pedaço e pronto. Dura um mês na geladeira, em saco plástico sem ar.